A brasileira Bruna Ferreira foi libertada de um centro de detenção para imigrantes nos Estados Unidos após o pagamento de uma fiança de US$ 1.500, o valor mínimo previsto pela legislação migratória. A informação foi confirmada nesta terça-feira (9) pelo advogado Todd Pomerleau à CNN Brasil. Bruna estava detida desde 12 de novembro no Centro de Detenção do ICE em Basile, no sul da Louisiana.

O caso ganhou grande repercussão por Bruna ser mãe do sobrinho e ex-cunhada de Karoline Leavitt, porta-voz do presidente Donald Trump. A defesa afirma que o Departamento de Segurança Interna (DHS) construiu uma narrativa falsa para caracterizá-la como uma “imigrante ilegal criminosa”, algo que o advogado classifica como “calunioso e difamatório”.

Segundo Pomerleau, a juíza responsável entendeu que Bruna não representa risco de fuga nem ameaça à segurança pública. Ele reiterou que a brasileira nunca foi presa por crime algum e que a única detenção registrada é a efetuada pelo ICE em novembro — classificada por ele como “inconstitucional”. Bruna também já não aparece no sistema de localização de detentos do órgão.

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O governo americano, porém, mantém posição distinta. Um porta-voz do DHS voltou a se referir a ela como uma “imigrante ilegal brasileira com antecedentes criminais”, afirmando que ela excedeu o prazo de permanência no país em 1999 e que teve uma prisão por agressão. A defesa refuta todas as alegações. O DHS afirmou ainda que o processo de deportação seguirá ativo, exigindo que Bruna compareça periodicamente ao ICE.

O órgão ressaltou que imigrantes irregulares podem optar pela “autodeportação”, recebendo auxílio financeiro de até US$ 1.000, passagens aéreas e a possibilidade de reentrada legal futura — política que o advogado de Bruna classificou como parte de uma campanha “premeditada e persecutória”.

A libertação ocorreu um dia após Bruna conceder entrevista ao Washington Post, em que rejeitou a versão da Casa Branca e detalhou sua disputa judicial pela guarda do filho, fruto de seu relacionamento com Michael Leavitt, irmão da porta-voz de Trump. Ela afirmou que, após a separação em 2015, o casal trocou acusações de ameaças, abuso e negligência. Em 2021, a criança passou a viver com o pai em New Hampshire, ficando com a mãe nos fins de semana.

Bruna também relatou que considerava Karoline Leavitt como uma irmã e chegou a convidá-la para ser madrinha de seu filho, mas disse acreditar que a narrativa contra ela “vai além da imaginação”.

Michael Leavitt negou ter qualquer participação na detenção ou em uma eventual deportação. Ele e o pai, Bob Leavitt, segundo Bruna, teriam sugerido que ela se “autodeportasse”, o que a impediria de retornar aos EUA por uma década.

A defesa enfatizou que Bruna é residente no país há quase 30 anos e chegou aos EUA, ainda criança, como uma “dreamer”, amparada pelo programa DACA. Contudo, ela não conseguiu renovar o benefício devido aos sucessivos litígios judiciais que paralisaram o programa. Além disso, estaria no processo final para obtenção do green card.

Para a defesa, sua prisão não tem justificativa legal. “Não há base para deter pessoas que já passaram pela coleta de impressões digitais e vivem há anos no país, algo plenamente conhecido pelo ICE”, afirmou Pomerleau.

Com a soltura, Bruna ainda não reencontrou a família, que vive ao norte de Boston, mas deve permanecer à disposição das autoridades enquanto o caso continua em tramitação.