Belém, 20 de novembro de 2025 — Enquanto os debates da COP30 tomam conta de Belém, uma pergunta se impõe com força rara: ainda há tempo para evitar o colapso climático? Para mais de 30 cientistas, ambientalistas e especialistas consultados pelo G1, a resposta é positiva — mas condicionada a transformações radicais e urgentes.
Um cenário que exige pressa
O aquecimento global segue acelerado, e os compromissos internacionais continuam insuficientes para garantir as metas do Acordo de Paris. Projeções recentes da ONU mostram que muitos países estão distantes de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C, e até mesmo a barreira dos 2 °C está em risco.
Na abertura da conferência, o secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o possível fracasso da meta de 1,5 °C como “falha moral” e “negligência mortal”. Ele alertou para o risco de ultrapassagens temporárias — os chamados overshoots — capazes de destravar pontos de inflexão irreversíveis, como o colapso da Amazônia ou o derretimento acelerado de regiões polares.
O que dizem os especialistas
Segundo os consultados, ainda é possível alterar o curso do planeta, desde que governos, empresas e sociedade civil avancem simultaneamente em três frentes:
Mitigação
Cortes profundos e imediatos nas emissões de gases de efeito estufa são considerados inegociáveis. A agenda inclui:
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transição rápida para energias renováveis;
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desmatamento zero;
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expansão de tecnologias de captura de carbono;
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políticas climáticas ambiciosas, monitoradas com transparência.
Adaptação
Mesmo com redução das emissões, parte dos impactos já está contratada. Será necessário investir em resiliência: infraestrutura contra eventos extremos, proteção de populações vulneráveis e integração de políticas sociais ao planejamento climático.
Transformação sistêmica e justiça climática
A crise, afirmam os especialistas, é também política e social. Isso significa revisar modelos econômicos, ampliar a participação de países mais afetados e garantir financiamentos robustos para nações pobres e comunidades tradicionais.
Por que ainda há tempo
Os cientistas ressaltam três fatores centrais que mantêm viva a possibilidade de reversão:
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Orçamento de carbono ainda não esgotado, embora extremamente reduzido;
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avanços tecnológicos que ampliam alternativas limpas e removem CO₂;
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pressão de movimentos sociais, indígenas e de juventude, que têm pautado negociações internacionais.
… e por que é tão difícil
A lista de obstáculos também é extensa: interesses fósseis, desmatamento, lentidão na oferta de financiamentos internacionais e falta de ambição real entre diversas nações. Para piorar, os atrasos acumulados tornam o tempo para agir cada vez mais curto.
Direção das negociações
Relatório recente da ONU alerta que as metas atuais ainda apontam para um aquecimento global entre 2,3 °C e 2,5 °C até o fim do século. Na COP30, três temas têm dominado as mesas de negociação: financiamento para adaptação, proteção a povos indígenas e manutenção da integridade das florestas tropicais.
Também avançam discussões sobre novos mecanismos financeiros capazes de mobilizar bilhões para a preservação das grandes florestas — consideradas fundamentais para estabilizar o clima.
A encruzilhada
Para especialistas, o mundo está diante de uma decisão histórica: seguir numa rota perigosa e destrutiva ou promover um giro rápido rumo a um futuro mais seguro e sustentável.
A mensagem que ecoa nos corredores da COP30 é clara:
“Ainda dá tempo.”
Mas, sem ação imediata — e ousada —, esse tempo pode se esgotar antes do previsto.
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