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O maior incêndio registrado em Hong Kong nas últimas três décadas deixou um rastro de destruição e dor no distrito de Tai Po, ao norte da cidade, nesta quarta-feira (26). As chamas consumiram torres residenciais do complexo habitacional Wang Fuk Court, provocando a morte de ao menos 36 pessoas — entre elas um bombeiro — e deixando 279 moradores desaparecidos.
Mais de dez horas após o início do fogo, a fumaça densa e as labaredas ainda envolviam as estruturas de 32 andares, enquanto cerca de 900 pessoas eram evacuadas para oito abrigos improvisados. O cenário de caos marcou um dos episódios mais trágicos da história recente da região.
Bambu inflamável sob suspeita
Embora a causa inicial do incêndio ainda não tenha sido oficialmente confirmada, as autoridades trabalham com a hipótese de que andaimes de bambu — amplamente utilizados em Hong Kong — tenham atuado como combustível para a propagação rápida das chamas. Telas verdes de proteção, que revestiam as torres, também teriam contribuído para transformar o fogo em uma gigantesca cortina vertical.
O uso de bambu na construção é uma tradição local, mas que vem sendo questionada por motivos de segurança. Em março, o governo iniciou um plano de eliminação gradual da técnica, justamente para reduzir riscos em obras e reformas.
Testemunhos de desespero
Entre os moradores, sobram relatos de pânico. Wong, de 71 anos, desabou ao contar que sua esposa ficou presa dentro de um dos prédios. Outro residente, Harry Cheung, de 66, disse ter ouvido “um barulho muito alto por volta das 14h45”, instantes antes de ver o fogo se espalhar, obrigando-o a fugir às pressas.
Resgate sob risco e investigação anunciada
O líder de Hong Kong, John Lee, confirmou que 29 pessoas foram hospitalizadas e ressaltou que a prioridade absoluta é concluir o resgate e extinguir completamente o incêndio. Apenas depois disso, segundo ele, será aberta uma investigação abrangente para determinar responsabilidades e causas.
Durante toda a noite, equipes de bombeiros enfrentaram dificuldades para alcançar os andares superiores dos oito blocos que, juntos, abrigam mais de 2.000 apartamentos.
O desastre é comparado ao incêndio de novembro de 1996, que deixou 41 mortos em um prédio comercial em Kowloon — até então, o mais letal da região. Como consequência imediata do episódio desta semana, uma importante seção da estrada Tai Po, uma das principais vias da área, foi interditada pelo Departamento de Transporte.
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