O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sido aconselhado por aliados a evitar declarações improvisadas sobre segurança pública, segundo apuração da CNN Brasil. A orientação tem como objetivo impedir que frases espontâneas sejam usadas politicamente pela oposição, especialmente em meio à crise na área e à proximidade do calendário eleitoral.
Um dos episódios citados é a fala de Lula durante viagem à Indonésia, quando afirmou que “traficantes são vítimas de usuários”. Embora tenha se retratado em seguida, o trecho segue sendo explorado por adversários da direita para sustentar o discurso de que o governo petista seria conivente com o crime organizado.
Nos bastidores, auxiliares avaliam que o presidente não deve reagir a provocações oposicionistas, que buscam associar o governo à leniência com facções criminosas.
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Reações após a megaoperação no Rio
Desde a megaoperação policial que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, Lula tem se manifestado apenas pelas redes sociais. Ele informou ter se reunido com ministros e determinado o envio de uma comitiva ao estado.
“Precisamos de um trabalho coordenado que atinja a espinha dorsal do tráfico sem colocar policiais, crianças e famílias inocentes em risco”, escreveu o presidente.
Projeto de lei Antifacção
Nesta sexta-feira (31), Lula assinou o projeto de lei Antifacção, que eleva para até 30 anos as penas para quem integra facções criminosas e cria mecanismos para fortalecer investigações e bloquear recursos financeiros dessas organizações.
O presidente destacou que a medida se soma à PEC da Segurança Pública, enviada em abril ao Congresso, e defendeu a integração entre União, estados e municípios no combate ao crime.
“As facções só serão derrotadas com o esforço conjunto de todas as esferas de poder”, afirmou.
Governadores lançam “Consórcio da Paz”
Enquanto o Planalto tenta calibrar o discurso, governadores de direita elogiaram a operação no Rio e lançaram, na quinta-feira (30), o Consórcio da Paz, aliança para ações conjuntas de segurança.
Durante o encontro, o governador Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) criticou o governo federal, acusando integrantes da gestão petista de serem “complacentes e convenientes” com o crime organizado.
Governo monitora impacto político
Para avaliar os efeitos da crise, o PT e o Palácio do Planalto encomendaram pesquisas de opinião sobre a percepção pública da megaoperação. Levantamento da AtlasIntel apontou que 87,6% dos moradores de favelas do Rio aprovam a ação contra o Comando Vermelho — índice que reforça o apoio popular a medidas mais duras de segurança.
Dentro do governo, há consenso de que o presidente deve adotar um tom mais técnico e contido, evitando falas improvisadas que possam ampliar a pressão política sobre o Planalto em um cenário cada vez mais polarizado.
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