O anúncio do presidente americano Donald Trump sobre um acordo para ampliar a importação de carne bovina da Argentina gerou forte reação entre pecuaristas dos Estados Unidos, um dos setores mais fiéis ao Partido Republicano.
Segundo o plano em estudo pela Casa Branca, a cota tarifária seria quadruplicada, passando de 20 mil para 80 mil toneladas anuais. A medida busca reduzir os preços da carne ao consumidor, mas produtores rurais veem o gesto como uma concessão a um concorrente estrangeiro, especialmente após o governo norte-americano oferecer um swap cambial de US$ 20 bilhões ao presidente argentino Javier Milei.
“É uma traição aos pecuaristas americanos”, criticou o produtor Christian Lovell, de Illinois.
“Esperávamos políticas que fortalecessem o produtor local, não o contrário”, acrescentou Bill Bullard, presidente da associação R-CALF.
Apesar da indignação, economistas afirmam que o impacto da carne argentina nos preços internos deve ser mínimo. O professor David Anderson, da Universidade Texas A&M, destacou que o país responde por apenas 2,1% das importações de carne bovina dos EUA, enquanto o Brasil e o Uruguai têm maior peso no mercado.
A alta da carne, segundo especialistas, está mais relacionada ao menor rebanho em 74 anos, à seca e à demanda aquecida, do que às importações.
Para conter a insatisfação do setor, o governo Trump anunciou um pacote de apoio aos produtores, em uma tentativa de equilibrar o discurso pró-consumidor com a pressão de sua base rural.
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