Pronto Falei PVH – A Notícia Sem Rodeios

Sexta-feira, 17 de Abril de 2026

Policial

Polícia Federal alerta para risco de retrocesso em proposta do PL Antifacção

Texto discutido na Câmara condiciona investigações conjuntas com estados e pode limitar atuação contra facções e crimes financeiros

Pronto Falei PVH
Por Pronto Falei PVH
Polícia Federal alerta para risco de retrocesso em proposta do PL Antifacção
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

A Polícia Federal (PF) manifestou preocupação com trechos do Projeto de Lei nº 5.582/2025 (PL Antifacção), que está em pauta na Câmara dos Deputados e trata do fortalecimento do combate às organizações criminosas. O principal ponto de discordância é a condição de que investigações conjuntas entre a PF e forças estaduais dependam de solicitação formal dos governadores.

Segundo a PF, a medida ameaça o propósito original do projeto, que buscava endurecer o enfrentamento ao crime organizado, e pode representar um retrocesso nas operações contra corrupção, tráfico de drogas, desvios de recursos públicos e tráfico de pessoas.

Autonomia em risco

A instituição citou como exemplo a operação deflagrada em São Paulo, em agosto de 2025, considerada a maior já realizada no país contra o crime organizado, que revelou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do PCC por meio de empresas de fachada. De acordo com a PF, com as novas regras, ações desse porte poderiam não ocorrer ou ter seus efeitos severamente limitados.

Leia Também:

“As mudanças comprometem a efetividade das investigações e fragilizam o enfrentamento nacional às facções”, avaliou a corporação em nota.

Divergências sobre o relatório

O relatório do deputado Guilherme Derrite, relator da proposta, mantém a essência do PL Antifacção, mas introduz modificações que restringem a autonomia da PF e suprimem parte de suas competências. Entre os pontos incluídos estão:

  • Condicionamento de investigações conjuntas a pedido formal dos governadores;

  • Equiparação de crimes de facções e milícias a atos de terrorismo;

  • Agravamento de penas para integrantes dessas organizações.

Embora os dois últimos itens tenham gerado debate entre especialistas e parlamentares, a nota oficial da PF concentrou-se na defesa da autonomia institucional e da capacidade de atuação independente.

Revisão de última hora

Diante da repercussão negativa, o relator ajustou o texto na véspera da votação, tentando reduzir a dependência da autorização estadual. Mesmo assim, a PF manteve posição de cautela, afirmando que as alterações ainda preservam restrições preocupantes à sua função constitucional de investigar crimes de alcance interestadual e internacional.

O PL Antifacção segue em discussão na Câmara e é considerado estratégico pelo Governo Federal no enfrentamento ao crime organizado, mas a divergência sobre autonomia investigativa tornou-se o principal impasse entre o Executivo, o Parlamento e a própria Polícia Federal.

Comentários:

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!