O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, fez um apelo contundente nesta terça-feira (18) durante a primeira sessão da CPI do Crime Organizado no Senado: aumentar em 38% o orçamento da instituição e dobrar o efetivo previsto em lei. Segundo ele, a PF opera com recursos insuficientes diante da expansão das facções e da sofisticação dos crimes.
Rodrigues lembrou que o orçamento atual — R$ 1,8 bilhão em 2023 — não acompanha as demandas crescentes. Ele pediu que o Congresso eleve o valor para R$ 2,5 bilhões na próxima Lei Orçamentária Anual. O reforço, disse, permitiria ampliar as FICCOs, forças-tarefas integradas entre PF e polícias estaduais voltadas ao combate de facções e milícias.
O diretor-geral também criticou o substitutivo do PL Antifacção, apresentado na Câmara, afirmando que o texto retira recursos de fundos federais e cria conflitos legais que podem resultar em nulidades processuais. “Buscamos ampliar o orçamento, não reduzi-lo”, alertou.
Efetivo insuficiente
Atualmente, a PF conta com cerca de 13 mil policiais, além de 2 mil servidores administrativos. Mais 2 mil agentes ingressarão após concurso realizado em 2025, mas, para Rodrigues, isso ainda é pouco. Ele defendeu dobrar o efetivo previsto em lei — hoje de 15 mil — para manter a atuação eficiente em investigação, controle de armas, imigração, passaportes e fiscalização de fronteiras.
Descapitalização do crime e economia digital
Rodrigues reforçou que atacar o patrimônio das facções deve ser prioridade. Os números mostram avanço: de R$ 1 bilhão apreendido em 2022, o valor saltou para R$ 6,4 bilhões em 2024, com expectativa de chegar a R$ 9 bilhões em 2025. Só a Operação Carbono Oculto, que combate a lavagem de dinheiro do PCC, respondeu por quase R$ 4 bilhões.
O chefe da PF ainda destacou a urgência de modernizar o Estado para enfrentar crimes financeiros no ambiente digital, citando criptomoedas, fintechs e plataformas tecnológicas usadas para lavar dinheiro. “O crime avança no digital enquanto o Estado muitas vezes permanece analógico”, disse.
Integração das forças de segurança
Rodrigues defendeu o fortalecimento das FICCOs e afirmou que a PEC da Segurança deve ampliar a coordenação nacional, permitindo maior protagonismo da União no enfrentamento ao crime organizado.
A CPI seguirá ouvindo ministros, governadores, especialistas e agentes públicos para mapear a atuação das facções e estimar as necessidades de investimento em segurança pública no Brasil.
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