O Momento Agro visitou a Hidroponia Porto Verde, liderada por Fernando Veneiro, para mostrar o ciclo completo da alface hidropônica e a história de uma família que transformou desafios em inovação desde os anos 1990. O empreendimento começou com Adalto Veneiro, pai de Fernando, pioneiro do cultivo hidropônico em Porto Velho, e hoje ocupa quase 20 mil m² em ambiente controlado, garantindo independência da chuva e do sol.
Do improviso à profissionalização
O cultivo começou com tetrapak, PVC e telhas de fibrocimento. Com o tempo, a estrutura evoluiu para uma estufa moderna, mantendo vivo o legado familiar e fortalecendo vínculos com a comunidade local.
Ciclo produtivo detalhado
O processo inicia na espuma fenólica com semeadora artesanal. As sementes, como Lucy Brown e Mimosa, germinam em dois dias e passam por sementeira (4–5 dias) e berçário (7–10 dias), antes de chegar à fase definitiva de 20–22 dias. O ciclo completo dura 43 a 47 dias até o ponto de venda. O cultivo contínuo garante oferta constante no mercado.
Impacto social e mercado
A operação emprega quatro colaboradores, e a renda gerada tem impactos diretos na comunidade, incluindo casos de funcionários que conseguiram construir casas com o trabalho. O consumo de hortaliças oscila conforme sazonalidade e hábitos alimentares, exigindo planejamento cuidadoso da semeadura.
Riscos e tecnologia
Mesmo em ambiente controlado, imprevistos podem comprometer toda a produção: uma bomba queimada ou queda de energia sem gerador pode afetar um pavilhão inteiro em 40 minutos. Para mitigar falhas, a estufa utiliza placas de monitoramento desenvolvidas localmente, integrando temporização, telemetria via Wi-Fi, alarmes sonoros e dashboards de status. A automação, aliada a um gerador de energia, garante segurança operacional.
Gestão da água e nutrientes
A irrigação é recirculante, e a equipe monitora diariamente a eletrocondutividade (EC) da água, ajustando os nutrientes conforme o estágio da planta. Testes de repelentes e inseticidas são realizados em microparcelas antes da aplicação total, evitando perdas. Bancadas descartadas são reaproveitadas na piscicultura, reduzindo desperdícios.
Lições e demandas do produtor
Fernando e a equipe destacam a importância de políticas públicas voltadas para tecnologia, assistência técnica e capacitação, em especial para pequenos e médios produtores. Entre as práticas recomendadas estão:
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Planejamento de semeadura por janelas de demanda no varejo.
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Monitoramento 24/7 com telemetria, alarmes e gerador.
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Ajuste constante de sais e EC conforme o desenvolvimento da planta.
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Testes controlados de insumos antes da aplicação em larga escala.
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Gestão de perdas com reaproveitamento de descartes.
A Hidroponia Porto Verde mostra que é possível unir inovação tecnológica, produtividade e impacto social, mantendo a tradição familiar e abrindo caminho para o fortalecimento do setor agrícola em Porto Velho.
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