A Prefeitura de Porto Velho criou um mecanismo que permite a um grupo restrito de secretários e assessores acumular gratificações generosas, elevando seus vencimentos muito além do salário original. Sob a liderança do prefeito Léo Moraes (Podemos), a prática pode custar aos cofres públicos mais de R$ 2 milhões em um ano.
O processo começou de forma discreta. Duas propostas enviadas pelo Executivo à Câmara alteraram a legislação municipal, inserindo bônus de 10% sobre o salário para quem participar de grupos de trabalho e autorizando que secretários integrem mais de três comissões ao mesmo tempo. Na sequência, decretos municipais prolongaram o funcionamento de comissões temporárias, como a que acompanha a área fiscal da cidade, garantindo pagamentos por 12 meses com possibilidade de renovação.

Os maiores ganhos foram para nomes centrais da administração: Márcio Rogério (Planejamento) e Wagner Garcia (Fazenda), ambos já remunerados acima de R$ 29 mil mensais. Outros secretários também entraram na lista, entre eles o irmão do prefeito, Paulo Moraes Junior (Esporte, Turismo e Lazer), que recebe jetons para liderar uma comissão sobre o retorno do passeio de trem.
Confira alguns valores mensais das gratificações:
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Márcio Rogério: R$ 22.383,95
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Oscar Netto: R$ 22.345,16
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Thiago Catanhede: R$ 17.548,48
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Sérgio Paraguassu: R$ 15.183,26
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Ian Barros: R$ 14.722,08
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Paulo Moraes Junior: R$ 12.745,38
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Wagner Garcia: R$ 12.550,26
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Alex Palitot: R$ 11.981,50
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Bruno Holanda / Renato Muzzulon: R$ 10.067,33 cada
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Cesar Marini: R$ 7.480,51 e R$ 6.061,54
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Mariana Prado: R$ 7.417,18
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Iremar Lima: R$ 6.720,20
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Leonardo Leocádio: R$ 4.646,80
A medida provocou reação na Câmara. O vereador Marcos Combate classificou os jetons como “pagamento a mais por tarefas já previstas”, reforçando o debate sobre gestão e uso do dinheiro público na capital rondoniense.
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